Quais os principais fatores que impactam a Contagem Bacteriana Total

O leite como produto final destinado à alimentação e à produção de produtos lácteos precisa apresentar diversas características para tornar-se seguro para consumo. Algumas propriedades importantes são: baixa contagem bacteriana total, ausência de microrganismos patogênicos ao homem e a de resíduos de medicamentos veterinários, assim como qualquer outra substância química.

A qualidade do leite cru está diretamente relacionada às condições gerais de saúde do rebanho, assim como aos métodos de higiene realizados na fazenda. Assim, esses fatores podem impactar na contagem bacteriana total (CBT) do leite de tanque.

Quais fatores impactam no aumento da CBT?

  • Saúde do úbere da vaca: presença de infecções intramamárias;
  • higiene da pele do úbere e dos tetos dos animais;
  • condições de higiene do ambiente em que os animais se encontram;
  • higiene no manejo de ordenha;
  • qualidade da água utilizada durante o manejo de ordenha;
  • armazenagem do leite pós-ordenha, temperatura e tempo do leite no tanque.

A CBT quantifica o número de bactérias aeróbias presentes no leite cru. O produtor pode realizar essa quantificação através de métodos de contagem padrão em placas com meio de cultura específico (CBTest – Onfarm), em que o leite é inoculado e incubado por 48 horas. Ou, então, pode realizá-la por contadores eletrônicos em citometria de fluxo.

 

Níveis de Contagem Bacteriana Total: o que os estudos dizem

Atualmente, os níveis máximos aceitáveis no Brasil de CBT são 300.000 UFC/ml de leite. No entanto, em rebanhos bem manejados é possível chegar a um nível na Contagem Bacteriana Total com <10.000 UFC/ml.

A Universidade Federal de Pelotas avaliou o impacto das práticas de manejo de ordenha no leite. Publicado em 2020 na Revista Brasileira de Zootecnia, o estudo analisou a avaliação da CBT e da contagem de células somáticas (CCS). Daneluz e colaboradores entrevistaram, através de questionário com 22 questões sobre manejo de ordenha e características da fazenda, 159 produtores de leite do Rio Grande do Sul e Paraná.

As questões voltadas ao manejo de ordenha avaliaram, por exemplo: uso de pré e pós-dipping, o histórico de cada animal referente à qualidade do leite, se há conhecimento do antibiótico mais utilizado para vacas secas e análise qualidade da água utilizada no manejo, controle de limpeza dos equipamentos de ordenha, controle de mastite clínica e subclínica, uso de California Mastitis Test (CMT) para identificação de mastite subclínica quinzenalmente e uso do teste de caneca de fundo preto diariamente.

A partir das respostas, foi possível entender que práticas de ordenha são eficazes para a melhoria da qualidade do leite; ou seja, para a diminuição de CCS e CBT. Com o aumento do número das práticas relacionadas ao manejo de ordenha, há uma melhora crescente na qualidade do leite.

No entanto, é importante entendermos que cada fazenda tem seu próprio manejo de ordenha, assim como sua rotina individual, tipo de sistema utilizado e nível de conhecimento do produtor. Todos esses fatores afetam o aumento ou diminuição dos parâmetros relacionados à qualidade, como CBT e CCS.  De fato, é necessário analisar a situação de cada fazenda para que os processos levem à melhora dos parâmetros de CCS e CBT e, consequentemente, da qualidade do leite.

 

Fonte:

Santos, M.V.; Fonseca, L.F.L. Controle da Mastite e Qualidade do Leite, Desafios e Soluções. Pirassununga-SP.: Edição dos autores, 2019, 301p.

Daneluz, M. O.; Canever, M. D.; Lima, H. G.; Bermudes, R. F. and Ribeiro, F. G. 2020. Effectiveness of milking management practices for SCC and TBC levels in milk. Revista Brasileira de Zootecnia 49:e20190130. https://doi.org/10.37496/rbz4920190130

Leia mais:

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp