O úbere da vaca inchou? Pode ser um edema. Saiba o que fazer

De acordo com um artigo recente do Journal of Dairy Science, o edema do úbere é um distúrbio metabólico não infeccioso que está presente em uma alta porcentagem de vacas leiteiras. Alguns dos fatores relacionados incluem genética, nutrição, estresse oxidativo, problemas no fígado e alterações fisiológicas em novilhas em fase de recria e no pós-parto. Assim como outros obstáculos referentes à saúde do rebanho leiteiro, o edema também afeta a rentabilidade da fazenda visto que interfere negativamente na produção de leite e na vida útil produtiva das vacas. 

Em alguns casos, a mastite clínica pode causar alterações no úbere – como o edema – e pouca alteração no leite. Nesses casos, é indicado diferenciar o edema da mastite clínica para que o produtor saiba aquilo que realmente necessita de tratamento e como deve interferir. Conforme exposto acima, já que há inúmeras e possíveis origens da condição,  o caminho para entender o motivo do aparecimento do edema de úbere não é tão fácil e nem intuitivo.  

É interessante pontuar que o problema parece ser mais comum em vacas da raça Holandesa, acometendo em torno de 66% delas pelo uma vez na vida. 

E quais são as principais características do edema de úbere?

O problema é caracterizado por acúmulo de fluído linfático dentro e ao redor dos espaços intersticiais da glândula mamária.

As estruturas de suporte dentro do úbere podem começar a se decompor devido a danos nos tecidos e a produção de leite pode ser reduzida devido ao acúmulo de líquido nos espaços dos tecidos. O risco de doenças secundárias, como mastite ou dermatite na fenda do úbere, também é aumentado e, em casos graves, os danos podem levar ao abate prematuro. 

Sobre a vida produtiva do animal, outra séria consequência do edema é ocasionar um dano permanente nos ligamentos suspensórios do úbere, prejudicando a vida produtiva da vaca e reduzindo a sua longevidade. Tudo isso, sem contar o quão o bem-estar dos animais é afetado pelo problema, já que gera sensibilidade e dor no úbere e nos tetos. As vacas acabam ficando menos tempo deitadas e com elas estando mais em pé, o comportamento negativo de pisoteio é intensificado, por isso, cabe aos responsáveis pela fazenda a avaliação do animal a fim de reduzir o incômodo do edema.  Mais estresse, menos leite e mais dor de cabeça! 

A prevalência é maior em novilhas de primeira cria, possivelmente porque estes animais têm o sistema vascular da região do úbere menos desenvolvido. Algumas pesquisas apontam que a incidência do edema mamário aumenta continuamente à medida que as novilhas se aproximam do primeiro parto e que os casos mais graves ocorreram naquelas que pariram no inverno e com idade mais avançada. Todavia, existe também a contribuição do fator hereditário, sendo que algumas vacas apresentam uma maior tendência para desenvolverem o edema da mama. 

É interessante acrescentar que vacas que passam por períodos secos mais longos (>70 dias) tendem a apresentar maior gravidade quando são acometidas pelo edema.  Também, é curioso destacar que os edemas podem estar associados com o aumento da incidência de mastite clínica no início da lactação e com um aumento modesto na prevalência de cetose na 2ª semana após o parto. 

Segundo Kojouri et al (2015), o comprometimento transitório da função hepática das vacas evidenciado por baixas concentrações de lipídios e lipoproteínas circulantes podem também estar diretamente envolvidas na formação de edema de úbere em novilhas.

E como podemos prevenir os edema no nosso rebanho?

 

  • Estresse oxidativo: o que é e como reduzi-lo? 

Responsável por elevar os danos aos tecidos, inclusive os mamários, o estresse oxidativo é definido como um desequilíbrio entre os radicais livres e as defesas antioxidantes.  A fim de evitar que isso ocorra, é necessário a certificação de que os antioxidantes exógenos, como vitamina E, vitamina C, carotenóides e flavonóides, junto com os aminoácidos, sejam oferecidos na dieta das vacas para a prevenção desse tipo de estresse. 

 

  • Sal: devemos usar com moderação na dieta dos animais

Várias evidências apontam que o excesso de sal na dieta eleva a prevalência de edema do úbere. Diferentes formas de sais aniônicos incluem cloreto de sódio, sulfato de magnésio, sulfato de cálcio, sulfato de amônio, cloreto de cálcio, cloreto de amônio e cloreto de magnésio. As vacas que consumiram esses sais demonstraram uma maior tendência de desenvolverem – mais cedo – o edema de úbere e além disso, demoraram mais para se recuperarem. Formular dietas adequadas para os animais e oferecer uma dieta específica para as novilhas no final da gestação podem ser opções palpáveis para a fazenda. 

 

  • Reduzir as lesões nos tetos 

Problemas com o equipamento de ordenha são muito comuns e regular essa ferramenta a fim de evitar edema e outras doenças, como mastite, é primordial para o negócio como um todo. Treinar a equipe para uma boa operação dos equipamentos também é fundamental para a rotina de ordenha. Atitudes simples que resultam em grandes ganhos! 

 

  • Genética 

Geneticamente, alguns animais são mais predispostos ao edema de úbere. Realizar uma boa seleção genética dos animais reprodutores contribui para evitar casos no plantel. Como o edema do úbere causa deterioração das estruturas de suporte do úbere, pode ser benéfico selecionar melhores características de conformação do úbere para aumentar a probabilidade de um animal se recuperar de um caso grave. É interessante também tentar selecionar animais que melhoram a fenda, a profundidade e o equilíbrio do úbere. 

 

Outros métodos preventivos

  • restringir dietas com alta energia, sódio (já citado anteriormente no tópico 2) e potássio nas últimas três semanas antes do parto;
  • exercícios em terrenos planos e em baixa velocidade no pré-parto;
  • ordenhas frequentes e controladas no pós-parto para e;
  • disponibilizar acesso livre à água.

Cura espontânea x tratamento

Em casos mais simples, a cura é espontânea e cabe ao produtor e a sua equipe apenas a observação. Porém, se alguma vaca necessitar de tratamento, este é realizado por meio de anti-inflamatórios e/ou diuréticos, massagens nos úberes e alguns exercícios leves. 

Como sempre sugerimos nos nossos artigos, um olhar atento do produtor e da sua equipe fazem a diferença nessas situações. Observar e notar comportamentos diferentes das vacas contribui muito para a detecção precoce de inúmeros desafios. 

Sobre a OnFarm

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Autoria do artigo:

Raquel Maria Cury Rodrigues, Zootecnista pela UNESP de Botucatu. 

Brunna Granja – Médica Veterinária, Mestre em Ciências Veterinárias em qualidade do leite, diagnóstico e controle de mastite bovina pela FMVZ/USP. Analista de Sucesso do Cliente na OnFarm.

 

Fontes consultadas:

  1. Kojouri GA, Mosavi Pouryeganeh M, Nekouei S, Nazifi S. Udder edema and association with some serum biochemical measurands and dietary factors in first calving cows. Iran J Vet Res. 2015 Fall;16(4):345-9. PMID: 27175201; PMCID: PMC4782673.
  2. LEACH, T. 3 Tips ward udder edema. DairyHerd, 2021. Disponível em: <https://www.dairyherd.com/news/dairy-production/3-tips-ward-udder-edema>. Acesso em: 20/12/2021. 
  3. SANTOS, M. V; FONSECA, L. F. L. Controle da Mastite e Qualidade do Leite: Desafios e Soluções. Pirassununga: Edição dos Autores, 2019. 301 p.
  4. Short communication: Associations of udder edema with health, milk yield, and reproduction in dairy cows in early lactation (DOI: https://doi.org/10.3168/jds.2018-14539). Graduate Student Literature Review: Udder edema in dairy cattle—A possible emerging animal welfare issue* (DOI: https://doi.org/10.3168/jds.2020-19353).
  5. SOUZA, R.D.O. O edema de úbere (parte 1). MilkPoint, 2002. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/artigos/producao-de-leite/o-edema-de-ubere-parte-1-16711n.aspx#:~:text=O%20edema%20de%20%C3%BAbere%20%C3%A9,proximidades%20da%20data%20do%20parto.>. Acesso em: 20/12/2021. 

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