O tratamento de mastite subclínica durante a lactação é viável?

Qual será o custo-benefício do tratamento da mastite subclínica ao longo da lactação? Será que são todos os patógenos que respondem bem às terapias disponíveis? 

 

Não é novidade que controlar a mastite no rebanho é um grande desafio para os produtores de leite, ainda mais, quando eles se deparam com infecções ao longo da lactação. Quando falamos sobre mastite subclínica, é comum inclusive que a fazenda perca o bônus por qualidade devido a alta Contagem de Células Somáticas (CCS), algo que pode acabar impactando na rentabilidade da fazenda.

 

As estratégias de prevenção sempre são mais interessantes e econômicas que o tratamento. No entanto, para que este último seja eficiente, a decisão de tratar ou não os casos subclínicos durante a lactação envolve uma série de fatores, algo que será discutido neste artigo.

 

Durante a lactação, as vacas com mastite subclínica devem ou não ser tratadas?

 

Um dos primeiros pontos a ser avaliado para responder a questão acima é o custo de oportunidade do tratamento. A decisão de se tratar ou não a mastite subclínica deve ser feita com base no custo-benefício de cada situação e em relação ao tipo de patógeno envolvido.

 

Vale destacar a importância da cultura microbiológica nos animais que tiveram aumento na CCS ou que apresentaram resultado positivo no California Mastitis Test (CMT). Hoje, com soluções inovadoras disponíveis no mercado, o produtor de leite conta com várias facilidades para realizar a cultura na própria fazenda, como laboratório portátil, treinamentos remotos e até aplicativo no celular com inteligência artificial, que reconhece por meio de uma foto qual é o agente causador da mastite, elevando assim, o controle da doença a outro patamar.

 

Essa conduta contribui para saber o que há de errado com a vaca em questão e agir diretamente na base do problema, já que permite diagnósticos rápidos e automáticos, saber qual a probabilidade da cura do caso e até mesmo, quais são os tratamentos que mais têm sido utilizados por outros produtores para casos semelhantes.

 

É interessante reforçar que o CMT é uma ferramenta que deve ser explorada caso a vaca seja elegível para passar por tratamento, pois ajuda a direcionar em quais quartos mamários ela precisará de cuidados, evitando aqueles que não necessitam. Também, direciona para os tetos que realmente estão com a CCS alta.

 

Cada plantel possui suas próprias características e além de conhecer o microrganismo envolvido, alguns itens também devem ser levados em consideração para a justificativa ou não de se tratar, como por exemplo, a probabilidade de cura espontânea do caso, histórico e idade dos animais, estado de saúde geral da vaca, entre outros.

 

Cabe ressaltar que, normalmente, os produtores tendem a tratar casos crônicos e que apresentam CCS alta por muito tempo, porém, essas situações possuem menores chances de cura comparado a vacas com contágios recentes, ou seja, que estavam sadias e adquiriram uma nova infecção (a CCS estava baixa e no último exame, deu alta).  Nesse último caso apresentado, elas passam a ser prioridade na escala de escolha do tratamento, pois possuem maior possibilidade de cura após o protocolo.

 

De qualquer maneira, as principais medidas de controle que podem ser tomadas em relação à mastite subclínica durante a lactação incluem: tratamento com antimicrobianos; segregação da vaca infectada; secagem permanente de quartos infectados e descarte da vaca.

 

No entanto, cada uma dessas medidas apresenta consequências. Por exemplo, o tratamento com antimicrobianos nem sempre é efetivo e está associado com descarte de leite de todas as glândulas mamárias durante o período de carência do medicamento. Por isso, a decisão de tratar ou não os animais deve ser bem analisada antes.

 

Streptococcus  agalactiae

 

Há vários agentes causadores de mastite subclínica e eles podem ser divididos em contagiosos e ambientais. A bactéria Streptococcus agalactiae apresenta perfil contagioso e junto com Staphylococcus aureus, representam quase 35% dos agentes causadores de mastite subclínica em vacas com CCS alta, pós parto e na secagem, segundo um estudo conduzido pela OnFarm com base nos dados da comunidade dos OnFarmers, produtores que utilizam o sistema de cultura na fazenda. Quando abordadas as análises apenas de vacas com CCS alta, essa porcentagem sobe para 40%.

 

É interessante destacar que Streptococcus agalactiae é uma bactéria gram-positiva estritamente contagiosa entre as vacas, porém, a mastite subclínica causada por esse patógeno é a situação que permite o maior benefício para o uso de tratamento durante a lactação, pois a taxa de cura é elevada. Isso se deve ao fato da ótima resposta aos antibióticos, apresentando uma taxa de cura maior que 90%.

 

Mesmo assim, é de extrema importância que a fazenda capriche nas medidas de prevenção já que existe a possibilidade de o agente voltar a infectar vacas no rebanho após o tratamento. A prevenção é sempre inevitável para qualquer propriedade e qualquer microrganismo que resolva importuná-la e a gestão contribui muito nesse processo. O produtor passa a controlar de perto o seu negócio e gerir inclusive a saúde do seu rebanho.

 

Já quando a contaminação ocorre por S. aureus, a sugestão é a segregação dos animais e a identificação das fontes de infecção, isso porque essa bactéria caracteriza-se por baixa taxa de cura e a alta resistência aos antibióticos.

 

As vacas infectadas atuam como fontes de infecção permanente e o patógeno S. aureus pode ser transmitido durante toda a lactação, fato que não prioriza inicialmente esses animais ao tratamento. Também, na maioria das fazendas, são as principais causas de mastite subclínica crônica.  Assim como já apontado anteriormente, a decisão de tratar casos subclínicos crônicos de mastite causada por S. aureus deve também levar em conta os custos com o tratamento e o descarte de leite com resíduos.

 

De acordo com Eduardo Pinheiro, Diretor Técnico da OnFarm, a presença de Streptococcus uberis no rebanho também aumenta a CCS de tanque, assim como os animais infectados podem apresentar mastites crônicas e recorrentes. “As maiores chances de cura de um caso de mastite por essa bactéria é no momento da secagem, porém, algumas pesquisas mostraram que infecções recentes por esse patógeno, principalmente em primíparas, são candidatas ao tratamento. No caso, deve-se privilegiar os animais de 1ª ou 2ª lactação, com infecção recente e de DEL (dias em lactação) mais baixo. A prioridade são as vacas que estavam com a CCS baixa, surgiu uma nova infecção, a CCS subiu e o produtor identificou S. uberis na cultura”, completou.

 

Ainda sobre os dados oriundos dos resultados da cultura, vale destacar que eles podem ser importados para sistemas de gestão por meio do número ou brinco eletrônico do animal, fato que facilita o gerenciamento da fazenda. O Índice Ideagri de Leite Brasileiro (IILB), referência sobre qualidade e eficiência produtiva da pecuária leiteira nacional, mostra que o setor ainda tem muito para crescer e – conforme o mais atual boletim publicado pela Ideagri, empresa que o desenvolve – na pecuária moderna, as fazendas que se destacam são as que sabem realizar uma gestão inteligente de dados.

 

A Ideagri reforçou em um dos seus artigos veiculado em seu site que, no seu ponto de vista, a mastite é um dos maiores problemas sanitários na pecuária leiteira – senão o maior – gerando grandes prejuízos econômicos para a atividade. De acordo com a empresa, aprender a utilizar de forma completa os softwares disponíveis, proporciona ao produtor um robusto e confiável banco de dados, o que contribui para a geração de relatórios e diversas e interessantes análises.

 

Como é possível notar, conclui-se que a escolha de tratar ou não os casos de mastite subclínica durante a lactação passa por uma análise personalizada de cada situação, sempre focando na avaliação dos custos e possíveis benefícios alcançados. Cabe ao produtor se informar sobre o tema e contar com o auxílio de profissionais e ferramentas que o auxiliem na tomada de decisão.

 

Sobre a OnFarm

A OnFarm traz uma solução simples, inovadora e única, que permite a identificação da causa da mastite em 24 horas, na própria fazenda, através da cultura microbiológica. Conhecer o agente de forma rápida é indispensável para o sucesso de qualquer programa de controle da mastite. A tecnologia acredita no empoderamento dos produtores, para que tomem decisões cada vez mais assertivas. O produtor em primeiro lugar, sempre. Para mais informações acesse: https://onfarm.com.br/ ou entre em contato no WhatsApp (19) 97144-1818 ou e-mail: contato@onfarm.com.br | Acompanhe nas redes sociais: Instagram | Facebook | LinkedIn | Youtube

 

Autoria do texto: Raquel Maria Cury Rodrigues, Zootecnista pela Unesp de Botucatu e Especialista em Gestão da Produção pela Ufscar.

 

Referências bibliográficas

 

  • SANTOS, M. V. A mastite subclínica deve ser tratada durante a lactação? – Parte 1, MilkPoint, 2005. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/colunas/marco-veiga-dos-santos/a-mastite-subclinica-deve-ser-tratada-durante-a-lactacao-parte-1-27012n.aspx>. Acesso em: 19/04/2022.
  • SANTOS, M. V. A mastite subclínica deve ser tratada durante a lactação – Parte 2, MilkPoint, 2006. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/colunas/marco-veiga-dos-santos/a-mastite-subclinica-deve-ser-tratada-durante-a-lactacao-parte-2-27172n.aspx>. Acesso em: 19/04/2022.
  • SANTOS, M.V; TOMAZI,T. Novas estratégias para manejo e tratamento da mastite subclínica durante a lactação, MilkPoint, 2013. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/colunas/marco-veiga-dos-santos/novas-estrategias-para-manejo-e-tratamento-da-mastite-subclinica-durante-a-lactacao-205306n.aspx>. Acesso em: 19/04/2022.

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