Colostro e colostragem: importância e readequação de manejo

Você já se perguntou sobre o impacto de uma boa colostragem na vida da bezerra e de como essa etapa influencia no futuro dela no contexto do mundo leiteiro? Talvez sim, talvez não. Mas o fato é que esse assunto é tão fundamental para os amantes do leite que trouxemos o supra sumo do tema neste artigo a fim de incentivá-los a olhar para essa fase com outros olhos e porque não, lapidar processos já feitos no dia a dia. 

 

Imunidade: “a menina dos olhos”

Imunidade. Essa palavra tão citada nos últimos tempos é chave para tantas questões…. E não é para menos, afinal, possuir um mecanismo de defesa no organismo resistente a antígenos resulta em saúde, equilíbrio, bom funcionamento das funções vitais e produtivas. O colostro é um exemplo (e tanto!) de uma substância potente para aumentar a imunidade dos animais e saber manejá-lo de maneira adequada otimiza ainda mais a sua efetividade. Além disso, a colostragem auxilia os animais a manterem a temperatura corporal nas primeiras horas de vida, reduzindo a mortalidade dos neonatos. Uma colostragem com falhas impede que as bezerras que sobreviveram se tornem vacas de alta produção devido à ocorrência de doenças (inclusive mastite) e às baixas taxas de crescimento normalmente avaliadas. 

Como vias de curiosidade, é interessante ressaltar que a bezerra nasce sem qualquer tipo de imunidade, pois ela não absorve anticorpos (imunoglobulinas) via placenta, mas sim, via colostro. Se atentar a esse fato é mais um incentivo para que o produtor priorize corretamente a colostragem, o tempo após o nascimento das bezerras no qual o colostro deve ser oferecido e a quantidade ideal disponibilizada. 

 

Avaliação da qualidade e quantidade de colostro 

O primeiro passo para que o plano da colostragem funcione adequadamente é monitorar a qualidade do colostro por meio da concentração de imunoglobulinas presentes. O método de refratômetro de Brix é simples e ágil e através dessa solução, é possível obter uma porcentagem que se relaciona à concentração das imunoglobulinas. Em termos práticos e técnicos, o colostro utilizado deve atingir ao menos 21% de Brix, mas o ideal é usar aquele com valores acima de 23%, o que equivale a um colostro com mais de 50 g de IgG/L (IgG = concentração de anticorpos). 

Quando falamos em qualidade, também estamos nos referindo ao grau de contaminação, pois este fator interfere na absorção da imunidade passiva fornecida à bezerra. Há inclusive bactérias que provocam doenças nas bezerras, como Escherichia coli, Salmonella spp., entre outras. Testes simples que quantificam as bactérias e transparecem o nível de contaminação devem ser incorporados na rotina da fazenda. E de onde surgem essas contaminações? 

 

  • Mastite das vacas que forneceram o colostro;
  • Falta de higiene no momento da coleta do colostro (como a presença de fezes);
  • Problemas no momento do armazenamento do colostro ou nos equipamentos de fornecimento de colostro à bezerra, como mamadeiras ou sondas esofágicas;
  • Proliferação bacteriana no banco de colostro. 

 

Ao fazer o teste de contagem bacteriana, é esperada uma contagem menor que 100.000 unidades formadoras de colônias (UFC) por mL, sendo que algumas pesquisas já sugerem que uma contagem acima de 50.000 UFC pode interferir na absorção de imunoglobulinas pela bezerra. Então, muita atenção e cuidado nesse momento!

Já quando nos referimos à quantidade ideal de colostro a ser oferecida para as bezerras, o recomendado é ao menos uma quantia equivalente a 10% do peso vivo da bezerra ao nascimento para que a colostragem seja eficiente. A primeira hora de vida é a escolha padrão ouro visto que ofertar colostro nesses 60 minutos iniciais é extremamente eficaz para uma melhor absorção de imunoglobulinas pelo animal. Com o passar do tempo, a porcentagem de absorção intestinal decresce, podendo ser totalmente ineficiente após as primeiras 24 horas. 

Recomendações de colostragem foram revistas recentemente por um grupo de pesquisadores que trabalha há muitos anos com o assunto (Godden et al., 2019; Lombard et al., 2020). Nesse novo consenso sobre o protocolo de colostragem, recomenda-se o fornecimento nas duas primeiras horas após o nascimento. Então, é interessante uma maior quantidade de colostro no menor período de tempo após o nascimento da bezerra.

 

E como saber se a bezerra absorveu a quantidade ideal de imunoglobulinas? 

 

Após o nascimento da bezerra e realizada a colostragem, podemos monitorar a quantidade de transferência passiva de anticorpos por meio da coleta de sangue entre o primeiro e o sétimo dia de vida. 

Uma estratégia é realizar a coleta de sangue, separar o soro sanguíneo e analisar em refratômetro de Brix (meta: 90% das bezerras ≥ 8,4%) ou de proteínas totais (meta: 90% das bezerras ≥ 5,2 g/dL, ou 80% ≥ 5,5g/dL) para identificar se a bezerra conseguiu absorver uma quantidade ideal de anticorpos.

Parece que são muitos detalhes, não é mesmo? Mas… garantimos que o resultado disso tudo na prática é incrível e vale a pena cada esforço, inclusive, para o bolso do produtor de leite. São práticas cruciais para quem busca preparar as bezerras a fim de transformá-las em vacas leiteiras mais produtivas e resistentes no longo prazo.

 

Fontes consultadas: 

 

A importância de uma boa colostragem para as bezerras. OnFarm, 2021. Disponível em: <https://onfarm.com.br/colostragem-importancia-para-bezerras/>. Acesso em: 21/01/2022. BITTAR. C.

Colostragem: você já readequou seu manejo? MilkPoint, 2020. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/colunas/carla-bittar/voce-ja-adequou-seu-manejo-para-as-novas-recomendacoes-de-colostragem-220297/>. Acesso em: 21/01/2022. 

Godden, S. M., J. E. Lombard, and A. R. Woolums. 2019. Colostrum management for dairy calves. Vet. Clin. North Am. Food Anim. Pract. 35:535–556. https://doi.org/10.1016/j.cvfa.2019.07.005.

  1. Lombard, N. Urie, F. Garry, S. Godden, J. Quigley, T. Earleywine, S. McGuirk, D. Moore, and others. Consensus recommendations on calf- and herd-level passive immunity in dairy calves in the United States. Journal of Dairy Science. In Press. https://doi.org/10.3168/jds.2019-17955. 

Sobre a OnFarm

A OnFarm traz uma solução simples, inovadora e única, que permite a identificação da causa da mastite em 24 horas, na própria fazenda, através da cultura microbiológica. Conhecer o agente de forma rápida é indispensável para o sucesso de qualquer programa de controle da mastite. A tecnologia acredita no empoderamento dos produtores, para que tomem decisões cada vez mais assertivas. O produtor em primeiro lugar, sempre. Para mais informações acesse: https://onfarm.com.br/ ou entre em contato no WhatsApp (19) 97144-1818 ou e-mail: contato@onfarm.com.br | Acompanhe nas redes sociais: Instagram | Facebook | LinkedIn | Youtube

Autoria do artigo:

 

  • Raquel Maria Cury Rodrigues, Zootecnista pela UNESP de Botucatu. 
  • Ananda Finco | Médica Veterinária e Mestre pela Universidade Estadual Paulista (UNESP – Botucatu) e Analista de Sucesso do Cliente na OnFarm.



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