Bactérias gram-negativas na cultura microbiológica da fazenda? Saiba o que fazer

Identificar os agentes causadores da mastite por meio da cultura microbiológica na fazenda e entender o perfil de ação das bactérias é fundamental. Realizar o correto diagnóstico da mastite traz  oportunidades para que a fazenda de leite reduza custos e antibióticos.

 

Enxugar despesas e dispêndio de mão de obra, ser cada vez mais preciso nos manejos do dia a dia e reduzir o uso de antibióticos. Que produtor não gostaria de vivenciar cada vez mais essa realidade? O tema desse artigo traz à tona essa questão, sabe por quê? Porque quando fazemos uma leitura clara do que está acontecendo na nossa fazenda, isso quer dizer, focando na transparência e informações de confiança, agimos com primor e evitamos suar a camisa para situações desnecessárias. Quer ver como temos espaço para melhorias quando falamos sobre bactérias gram-negativas?

Não é novidade que casos de mastite clínica são os motivos mais recorrentes pelos quais as vacas leiteiras são expostas à antibioticoterapia. Quando identificamos os agentes causadores, passamos a focar em um tratamento seletivo, “aparamos as arestas” e nos tornamos mais minuciosos. Vejamos um exemplo prático com bactérias gram-negativas sobre o que estamos citando:

Casos de mastite clínica ocasionados por Escherichia coli (E.coli) normalmente são de curta duração, a vaca apresenta uma rápida e eficaz resposta imune com altas taxas de cura espontânea, não sendo necessário – na maioria das vezes – o uso de antimicrobianos. Já infecções por Klebsiella spp. são caracterizadas por longos períodos de infecção subclínica prévia e tratamentos de casos clínicos menos bem-sucedidos, o que eleva a chance de se tornarem crônicos.

Conforme ilustrado na Figura 1, as perdas de produção causadas por Klebsiella spp. são mais longas do que as causadas por E. coli. Por exemplo, vacas com mastite causada por Klebsiella spp. têm perda de produção de cerca de 7,6 kg/vaca/dia, logo após o caso de mastite, mas podem manter perdas de até 5 kg/vaca/dia nos meses seguintes. Além disso, os riscos de descarte de uma vaca com Klebsiella spp. são maiores do que as causadas por E. coli.

Figura 1 – Efeito da ocorrência de um caso clínico de mastite causada por E. coli e a Klebsiella spp. sobre a produção de leite, em comparação com vacas sadias. As perdas de produção da mastite causada por Klebsiella spp. iniciam-se antes e são mantidas por mais tempo em comparação com mastite causada por E. coli. (Fonte: adaptado de Gröhn, et al. J Dairy Sci 2004:3358–74).

 

Perceberam o quão importante é conhecermos o agente causador da mastite clínica? Com esse dado, a ideia é definir qual estratégia de tratamento adotar, se é necessário o uso de antibióticos e se sim, a duração do tratamento. A cultura na fazenda possibilita que você encontre as respostas para sua propriedade e para os seus animais, sendo uma grande aliada nesse processo.

 

Então vamos destrinchar um pouco mais o perfil dessas bactérias?

 

Escheria coli

 

Considerada um patógeno ambiental, o risco de contágio se torna maior nas vacas logo após a secagem ou durante o período de transição. As chances de cura espontânea de casos leves e moderados das infecções causadas por E. coli são de cerca de 80 a 95%, o que é similar à chance de cura com o uso de antibióticos (90%). Em razão da alta taxa de cura espontânea dos casos leves e moderados diagnosticados com E. coli, o tratamento com antibióticos pode ser postergado nestes casos. Porém, casos graves de mastite clínica devem ser tratados imediatamente com terapia suporte (antibiótico injetável, anti-inflamatório e hidratação oral e/ou endovenosa).

 

Klebsiella spp.

 

Também são microrganismos ambientais e as espécies mais conhecidas são Klebsiella pneumoniae e Klebsiella oxytoca, mas, as medidas de controle e tratamento são semelhantes entre todas elas. A doença pode se manifestar na forma aguda, as chances de cura espontânea de Klebsiella spp. variam de 25% à 60% e a média de cura com antibioticoterapia é de 60%. Este agente patogênico tem capacidade de penetrar em tecidos mais profundos da glândula mamária, o que pode causar perda significativa da produção de leite e cronificação da mastite.

 

Pseudomonas spp.

 

Pseudomonas aeruginosa frequentemente estão presentes na água e podem ocasionar surtos de mastite clínica. Esse tipo de bactéria exige poucos nutrientes, o que permite que cresça facilmente no solo e na água. Possui relativa resistência a desinfetantes químicos, tornando muito difícil a erradicação desse patógeno no ambiente. O curso clínico da mastite intramamária é caracterizado pelo desenvolvimento de mastite aguda que frequentemente evolui para um estado crônico de infecção. Nos casos leves e moderados diagnosticados com Pseudomonas não se recomenda o tratamento com antibióticos, porque devido à resistência dessa bactéria aos antimicrobianos, é provável que a taxa de cura espontânea seja próxima à taxa de cura com antibioticoterapia. Porém, em casos graves, a conduta é a mesma citada no tópico da E.coli.

 

Outras medidas de prevenção comum entre elas

 

É recomendada adequada rotina de ordenha como:

  • uso de luvas;
  • pré e pós-dipping eficientes aplicados em cobertura de todo o teto;
  • uso de toalhas (ou papel toalha) individuais;
  • terapia de vaca seca com o uso de selante interno de tetos e;
  • manutenção do equipamento de ordenha.

 

Outra maneira de “espantar” as bactérias do plantel é manter o ambiente limpo e seco, especialmente nas épocas chuvosas. Para isso, vale aumentar a frequência de manejo de limpeza de camas do free-stall; elevar a taxa de reposição e viragem da cama das vacas no compost barn; adequado manejo do pasto e evitar aglomeração e superlotação em determinadas áreas com lama e esterco.

 

Para finalizar, a mensagem que fica é: não há receita de bolo! Cada caso é único, cada fazenda tem a sua história e as vacas devem receber o tratamento mais adequado e específico possível para as questões que apresentarem ao longo do caminho.

Sobre a OnFarm

A OnFarm traz uma solução simples, inovadora e única, que permite a identificação da causa da mastite em 24 horas, na própria fazenda, através da cultura microbiológica. Conhecer o agente de forma rápida é indispensável para o sucesso de qualquer programa de controle da mastite. A tecnologia acredita no empoderamento dos produtores, para que tomem decisões cada vez mais assertivas. O produtor em primeiro lugar, sempre. Para mais informações acesse: https://onfarm.com.br/ ou entre em contato no WhatsApp (19) 97144-1818 ou e-mail: contato@onfarm.com.br | Acompanhe nas redes sociais: Instagram | Facebook | LinkedIn | Youtube

O que lemos para produzir esse material:

B.M.Granja; C.E.Fidelis; B.L.N.Garcia; M.V.dos Santos. Evaluation of chromogenic culture media for rapid identification of microorganisms isolated from cows with clinical and subclinical mastitis. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0022030221005580>. Acesso em: 10/02/2022.

 

Fuenzalida, M.J.; Ruegg, P.L. Negatively controlled, randomized clinical trial to evaluate intramammary treatment of nonsevere, gram-negative clinical mastitis. Journal of Dairy Science, v. 102, p. 5438-5457, 2019.

 

SANTOS, M. V. Bactérias causadoras de mastite ambiental. MilkPoint, 2007. Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/colunas/marco-veiga-dos-santos/bacterias-causadoras-de-mastite-ambiental-38045n.aspx>. Acesso em: 10/02/2022.

 

SANTOS, M. V. Como controlar a mastite causada por Klebsiella? Disponível em: <https://www.milkpoint.com.br/colunas/marco-veiga-dos-santos/como-controlar-a-mastite-causada-por-klebsiella-206026n.aspx>. Acesso em: 10/02/2022.

 

Autoras do artigo:

 

> Raquel Maria Cury Rodrigues. Zootecnista pela UNESP de Botucatu e Especialista em Gestão da Produção pela UFSCAR.

 

> Brunna Granja – Médica Veterinária e Analista de Sucesso dos OnFarmers.

 

 

 

 

 

 

 

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