Vacina para mastite ambiental: vale a pena?

Brunna Granja

Time OnFarm

 

A mastite causada por coliformes, ou seja, bactérias gram-negativas como Escherichia coli, Klebsiella spp., Enterobacter spp., ocorre pela invasão dessas bactérias via canal do teto através do contato dos tetos com matéria orgânica.

Essas bactérias têm a capacidade de sobreviver e se multiplicar dentro da glândula mamária, causando principalmente casos clínicos de mastite, podendo apresentar sinais clínicos sistêmicos (como febre, apatia, perda de apetite e desidratação) principalmente nos momentos onde o animal apresenta uma maior vulnerabilidade, que é no pré e pós-parto (período de transição).

Uma maneira de amenizar os problemas causados por essas infecções é aumentar a resposta imune do animal, sendo uma opção a vacinação. Uma possível vacina a ser utilizada é a E.coli J5, essa vacina atua no aumento dos níveis de anticorpos efetivos no sangue, ao redor do canal do teto e no leite.

Alguns estudos realizados utilizando a vacinação com J5 em bovinos leiteiros nos mostram resultados positivos referente principalmente à diminuição da gravidade dos casos de mastite clínica.

Duas pesquisas realizadas por Wilson et al. (2007 e 2008) avaliaram o uso da vacina J5 em rebanhos do estado de Nova Iorque, EUA.

No primeiro estudo realizado em 2007, foram utilizados 3 rebanhos comerciais, com um grupo tratado com a vacina J5 (n = 251) e um grupo controle (n =306).  O estudo apresentou resultados positivos para o grupo de animais vacinados, apresentando 1,6% de perdas relacionadas à morte ou descarte de animais para o grupo tratado, quando comparados a 4,3% para o grupo controle. Os resultados mostraram que o aumento da gravidade dos casos de mastite clínica foi maior nas vacas do grupo controle (n= 92) quando comparado ao grupo vacinado (n = 89). A vacinação foi eficiente na redução da gravidade dos casos clínicos, no entanto não diminuiu a incidência desses casos.

Em um segundo estudo realizado em 2008 nos mesmos rebanhos comerciais do estudo anterior, foram comparados entre os grupos a produção de leite e o desempenho reprodutivo após o caso de mastite clínica. A taxa de concepção foi de 73,5% para o grupo controle e 68,9% para o grupo vacinado com J5, no entanto não houve diferença estatística entre esses resultados. A redução na produção de leite diária foi menor no grupo vacinado, com média de 7,6kg quando comparado ao grupo controle. No entanto, os efeitos benéficos da vacinação em relação a produção de leite foram maiores em vacas que apresentaram um quadro de mastite clínica por coliformes até 50 dias de lactação e diminuindo ao longo do avanço dos dias em lactação, desaparecendo aproximadamente aos 100 dias de lactação.

De forma geral a vacinação com a J5, para casos de mastite clínica causados por E. coli, não diminui o risco da vaca apresentar mastite clínica, porém auxilia o sistema imune do animal, diminuindo a gravidade dos casos clínicos de mastite e reduzindo também a perda da produção de leite.

 

Wilson, D. J.; Grohn, Y. T.; Bennett, G. J.; González, R. N.; Schukken, Y. H.; Spatz, J.  Comparison of J5 Vaccinates and Controls for Incidence, Etiologic Agent, Clinical Severity, and Survival in the Herd Following Naturally Occurring Cases of Clinical Mastitis.  Journal of Dairy Science, v.90, p.4282-4288, 2007.

 

Wilson, D. J.; Grohn, Y. T.; Bennett, G. J.; González, R. N.; Schukken, Y. H.; Spatz, J.  Milk Production Change Following Clinical Mastitis and Reproductive Performance Compared Among J5 Vaccinated and Control Dairy Cattle. Journal of Dairy Science, v. 91, p. 3869-3879, 2008.

 

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