Hiperqueratose nos tetos aumenta o risco de mastite?

Eduardo Pinheiro

Time OnFarm

Mastite é uma das doenças mais frequentes em vacas de leite, que causa grandes perdas financeiras nos rebanhos leiteiros. A prevenção de novas infecções intramamárias (NIIM) é ponto chave para reduzir a prevalência de mastite no rebanho. A integridade da ponta dos tetos é uma barreira física que pode prevenir NIIM, e esta é afetada negativamente pelo aumento exacerbado do vácuo na ponta do teto (vácuo a cima de 41 Kpa), o que proporciona fechamento mais lento do canal, maior remoção de queratina, e consequentemente aumento do grau de hiperqueratose nos tetos. Um estudo avaliou a associação entre escores de condição do teto e NIIM em vacas leiteiras (Gentilini et al., 2015). Neste estudo, foram realizadas 4.953 avaliações de escore de condicionamento de tetos, e a classificação dos escores variou de 1 à 5, sendo 1 considerado abertura “normal” do teto e 5 extremamente aberto (Figura 1).

 

Figura 1: Escore de condição de orifício dos tetos (Fonte: DeLaval)

 

Foi observado que quartos mamários com escore 5 de abertura dos tetos após a ordenha (escore máximo de abertura de tetos) tiveram 12 vezes mais chance de apresentarem uma NIMI do que quartos com escore 1 (Figura 2).

 

 

Figura 2 –  Proporção de quartos com novas infecções intramamárias (NIMI) por escore de abertura de tetos.

 

O risco de NIMIs aumentou de acordo com o aumento do grau de abertura de tetos, portanto medidas de controle que visam manter a integridade da ponta dos tetos, como adequada rotina de ordenha, evitando sobreordenha (conjuntos de ordenha acoplados nos tetos das vacas sem que haja ejeção do leite), e correta regulagem do equipamento de ordenha (evitando nível de vácuo a cima de 41 Kpa na ponta dos tetos), são importantes fatores para prevenção de novas infecções intramamárias no rebanho.

 

Fonte: quarters with high teat end condition scores are more likely to have new intramammary infections. 2015. Marianna Gentilini, Mario Lopez Benavides, Eduardo de S.C. Pinheiro, Cristian de M.R. Martins and Marcos V. dos Santos.

 

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