“Coryne”: amigo ou inimigo na mastite?

Cristian Martins e Eduardo Pinheiro
OnFarm

Corynebacterium spp. podem ser considerados microrganismos “menores” ou secundários, isolados especialmente em vacas com mastite subclínica (Bradley and Green, 2005; Schukken et al., 2009). Ou seja, são considerados como de pouca importância ou de pouco efeito sobre as características de produção, composição e CCS do leite, quando comparado aos patógenos principais da mastite (S. aureus, S. agalactiae, S. uberis, S. dysgalactiae, E. coli, Klebsiella, etc.).

Porém, sua importância para mastite ainda é controversa entre estudos científicos e de opiniões de especialistas. A maioria dos estudos classificaram Corynebacterium spp. como pouco ou sem efeito sobre as características de produção, composição e CCS da vaca, outros classificaram que o mesmo pode ter um efeito “protetor” na glândula contra demais agentes principais da mastite (S. uberis, S. aureus, S. agalactiae, etc.) e, por fim, alguns estudos mostraram aumento moderado da CCS (CCS entre 50 e 197 mil cel/ml) em quartos com presença de Corynebacterium spp. (Figura 1). Veja abaixo os principais resultados que foram relatados!

Figura 1 – Compilado de estudos de avalição dos efeitos de Corynebacterium spp. na glândula mamária.

 

Anote aí:

1 – O Corynebacterium bovis (C. bovis) é a espécie mais prevalente (>90%) entre os Corynebacterium spp. que já foram isolados da glândula mamária de vacas em lactação;

2 – A maioria dos estudos demonstram que o Corynebacterium spp. não tem efeitos sobre composição, produção e CCS do leite. Alguns estudos sugerem que Corynebacterium spp. pode ter efeito protetor na glândula mamária quanto a infecção por outros agentes principais, enquanto outros estudos demonstram que pode haver aumento moderado da CCS (CCS entre 50 e 197 mil cel/ml);

3 – A prevalência de Corynebacterium spp. nos rebanhos varia de 4 à 13% das vacas em lactação;

4 – As principais medidas de redução da prevalência de Corynebacterium spp. são melhorias no manejo de ordenha, principalmente da eficácia da aplicação de pré e pós-dipping;

5 – Em métodos microbiológicos de identificação de Corynebacterium spp., recomenda-se incubação por até 48 horas.

Quer saber mais sobre o assunto? Clique aqui para baixar o artigo completo.

 

Referências

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Gonçalves et al. 2016. Effects of bovine subclinical mastitis caused by Corynebacterium spp. on somatic cell count, milk yield and composition by comparing contralateral quarters. The Veterinary Journal, Volume 209, March 2016, Pages 870-92

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Schukken, Y.H., González, R.N., Tikofsky, L.L., Schulte, H.F., Santisteban, C.G., Welcome, F.L., Bennett, G.J., Zurakowski, M.J., Zadoks, R.N., 2009. CNS mastitis: Nothing to worry about? Veterinary Microbiology 134, 9– 14.

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