O que os dados da nossa comunidade de #OnFarmers podem nos dizer?

Eduardo Pinheiro

Time OnFarm

Em menos de dois anos de vida, a nossa comunidade de atingiu mais de 600 laboratórios instalados em 16 estados brasileiros, e com mais de 850 fazendas já atendidas. Com isso, passamos a conhecer e caracterizar melhor o problema “mastite” no Brasil. O objetivo desse artigo é compartilhar com voces algumas dessas informações. Caber destacar que não realizamos nenhum tipo de análise estatística, portanto, são dados descritivos e que precisamos ter cautela na interpretação. Também, existem algumas informações como: sistema de produção, número de vacas em lactação e protocolos de tratamento, que são apenas de parte da comunidade.

Vamos lá?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mapa 1.  Municípios onde existe pelo menos um OnFamer

 

Primeiro dado a ser apresentado, é o percentual de resultados negativos nas culturas microbiológicas de mastite clínica (MC) (Figura 1).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 1. Frequência de resultados “contaminados”, “positivos” (com crescimento) e “negativos” (sem crescimento).

 

De acordo com esse gráfico, podemos observar que cerca de 40% dos casos com mastite clínica não apresentam crescimento microbiano, o que sugere que esses casos não necessitariam de tratamento com antibióticos (lembrar de tratar imediatamente a vaca nos casos de mastite grave). Além disso, cerca de 95% dos resultados de cultura não apresentaram contaminação, ou seja, o procedimento como um todo (coleta de leite, inoculação da amostra, etc) deve ter sido realizado de maneira correta.

Nos próximos dois gráficos, estratificamos esse resultado por região do país (Figura 2) e sistema de produção (Figura 3).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 2. Frequência de resultados “negativos” (sem crescimento) por região do país.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 3. Frequência de resultados “negativos” (sem crescimento) por sistema de produção (“Compost Barn”, “Free Stall” e “Piquete/Semi-confinamento).

 

Na região sul do país, foram apresentados resultados percentuais de cultura negativa numericamente maiores do que nas demais regiões do país, o que sugere uma maior imunidade das vacas nessa região do país, e/ou melhores condições de ambiente e manejo. Já no sistema de produção Piquete/semi-confinamento, foram observados resultados percentuais numericamente menores de cultura negativa em relação aos demais sistemas de produção (“Compost Barn”e “Free Stall”), o que pode sugerir uma menor imunidade das vacas e/ou piores condições de ambiente e manejo nesse sistema de produção de leite.

Na região Sudeste, onde temos mais informações sobre o sistema de produção das fazendas, conseguimos também estratificar o % de resultados negativos por sistema de produção confinado (“Compost Barn” e “Free Stall”) e estação do ano (Figura 4).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 4. Frequência de resultados “negativos” (sem crescimento) por sistema de produção (“Compost Barn” e “Free Stall”) e estação do ano (verão e inverno).

 

Com relação aos agentes causadores de mastite, conseguimos estratifica-los em: a) causadores de mastite clínica (Figura 5); b) causadores de mastite subclínica (MSB) (Figura 6); c) % de bactérias contagiosas por região do país (Figura 7); e d) % mensal de mastite clínica causada por agentes ambientais em relação à estação do ano e região do país (Figura 8).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 5. Prevalência de agentes causadores de mastite clínica (MC).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 6. Prevalência de agentes causadores de mastite subclínica (MSB).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 7. Percentual de amostras de mastite clínica e subclínica com agentes contagiosos de acordo com a região do país.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 8. Percentual mensal de mastite clínica causada por agentes ambientais em relação à estação do ano (inverno e verão) e região do país (sudeste + centro-oeste e sul).

 

De acordo com os gráficos de prevalência de agentes, podemos observar que as bactérias contagiosas são importantes causadoras de mastite clínica e subclínica no país, sendo responsáveis por pelo menos um quarto dos casos. Dentre os agentes contagiosos, Streptococcus agalactiae se destaca como o principal causador de mastite. Essa bactéria já foi erradicada em diversos países, portanto temos uma grande oportunidade de melhoria na qualidade do leite no Brasil, pois se erradicarmos essa bactéria nas fazendas, iremos reduzir novos casos de mastite clínica, além da redução significativa da CCS.

Outro dado interessante, é o % mensal de mastite clínica causada por agentes ambientais em relação à estação do ano e região do país, onde podemos observar uma frequência numericamente menor de casos clínicos no inverno do centro-oeste e sudeste, provavelmente porque no inverno as vacas apresentam menor stress térmico (e consequentemente maior imunidade) e ficam em um ambiente mais limpo e seco do que no verão. Na região sul do país, essa diferença é mínima, provavelmente porque lá as chuvas são mais bem distribuídas ao longo do ano.

 

Com a nova versão do aplicativo, em que os usuários podem lançar os tratamentos de mastite realizados, conseguimos também ter uma ideia de quais são as bases terapêuticas dos antibióticos intramamários (Figura 9) e injetáveis (Figura 10), e ani-inflamatórios (Figura 11) mais usadas nesses tratamentos. E em breve, com a ajuda dos OnFarmers para o preenchimento completo das informações de tratamento, conseguiremos estimar quais são as bases e produtos mais eficientes no tratamento de mastite.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 9. Bases terapêuticas de antibióticos intramamários usadas para tratamento de mastite.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 10. Bases terapêuticas de antibióticos injetáveis usadas para tratamento de mastite.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 11. Bases terapêuticas de anti-inflamatórios usadas para tratamento de mastite.

 

Incrível não? Esse é só o começo da nossa jornada. Nos orgulha o fato de estarmos construindo uma comunidade que gera conhecimento e informação em prol de todos. É o poder da nossa “rede”, que alimenta um ciclo de geração e compartilhamento de conhecimento.

 

Seguiremos em frente, colocando o produtor em primeiro lugar, sempre.

 

#OnFarmers

 

 

 

 

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