Cura espontânea?

Brunna Granja
Med Vet – Central Atendimento OnFarm

 

No artigo anterior discutimos os fatores que levam a resultados negativos (sem crescimento) na cultura microbiológica, mesmo que a vaca tenha alterações visuais no leite como grumos ou coágulos.

 

Os dados de mais de 600 fazendas que utilizam a solução da OnFarm indicam que a porcentagem de casos de mastite clínica com resultados negativos é de 38%. Ou seja, de cada 10 vacas com mastite clínica e sinal de infecção,  em pelo menos 4 o agente causador não está mais presente na glândula mamária do animal. Mas qual o principal motivo? Claramente, o principal fator que explica tal fato é o que chamamos de cura espontânea, ou seja, o sistema imune da vaca é capaz de combater a infecção.

Mas o que afeta a cura espontânea?  A partir de dados de diferentes estudos, foi possível observar que diferentes fatores podem influenciar a probabilidade de cura espontânea de um caso mastite.

  1. Número de lactações – taxa de cura espontânea para vacas primíparas é duas vezes maior do que para vacas multíparas.
  2. Imunidade do animal – o sistema imune desempenha papel essencial nos casos de cura espontânea, com taxa de até 20% dos casos de mastite clínica, exceto quando Staphylococcus aureus.
  3. Vacinação contra agentes específicos e suplementação com micronutrientes na alimentação para aumentar a resposta imune da vaca.
  4. O agente causador também influencia diretamente as taxas de cura espontânea:
  • Coliformes, como Escherichia coli a taxa de cura espontânea é acima de 85%;
  • Streptococcus ambientais, como o uberis e Strep. dysgalactiae, a taxa de cura espontânea é baixa, necessitando de tratamento com antibióticos.
  • Staphylococcus aureus, a taxa de cura espontânea tanto para casos de mastite clínica quanto subclínica, é praticamente nula.

 

Tratar ou não tratar? Se você conhece o problema, ou seja, o agente causador da infecção, a resposta a essa questão torna-se muito mais fácil.

 

 

Johnson, L.R.; Nickerson, S.C. A large multi-centric study in the United States assessing self-cure rates in dairy cows during the dry period from mastitis due to Staphylococcus aureus. Animal husbandry, Dairy and Veterinary Science, v.1, p.1-7, 2017.

Kromker, V.; Leimbach, S. Mastitis treatment – Reduction in antibiotic usage in dairy cows. Reproduction in Domestic Animals, v.52, p. 21-29, 2017.

Langoni, H., et al. Considerações sobre o tratamento de mastite. Pesquisa Veterinária Brasileira, v.37, p. 1261-1269, 2017.

Lago, A.; Godden, S. Use of Rapid Culture Systems to Guide Clinical Mastitis Treatment Decisions. Veterinary clinical foods animal, v.34, p. 389-412, 2018.

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp